O Flash é conhecido por ser uma ferramenta bastante útil no universo da DC Comics quando o assunto é consertar cagadas. Isso quando ele não está causando as cagadas. O artifício da viagem no tempo é uma mão na roda na hora de modificar algumas coisas nas HQ’s. Naturalmente, o anúncio feito pela Warner no painel da Comic-Con de que Flashpoint será o título do filme solo do Velocista Escarlate causou um alvoroço entre os fãs. Porém, a realidade pode ser um pouco mais pé no chão.

Lançada no Brasil como Ponto de Ignição, a trama de Flashpoint é dividida em cinco edições e mostra Barry Allen investigando o que aconteceu com a cronologia da DC Comics. Sua mãe está viva, não existe Liga da Justiça, o Superman nunca caiu no Kansas (sendo capturado pelo governo americano), Thomas Wayne é o Batman, já que Bruce foi morto na tentativa de assalto e Martha, afetada pela tragédia, transformou-se na Coringa. E o mundo está ruindo diante de uma guerra entre Aquaman e Mulher-Maravilha. E as modificações nos personagens não param por aí.

Sem poderes, Barry precisa assumir as rédeas da situação e enfrentar aquele que ele julga ser o responsável por toda a bagunça: Eobard Thawne, o Flash Reverso. No fim, o Flash descobre que foi ele quem causou tudo isso ao tentar salvar a vida de sua mãe no passado. Apesar de resolver o problema, as consequências desse Efeito Borboleta deram origem aos Novos 52. O resto, como dizem, é história.

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Barry Allen e Thomas Wayne na animação de Flashpoint (Divulgação: Warner Bros.)

Fora das HQ’s, a Warner Bros. lançou a animação Justice League: The Flashpoint Paradox. Que mantendo o padrão de qualidade dos longas animados da DC, funciona como um ótimo resumo dos eventos para quem nunca leu a história. Mas antes de ganhar vida nos cinemas, Flashpoint deu as caras na série da The CW. Com uma trama mais condizente com a realidade da produção, os eventos causaram algumas mudanças curiosas no Arrowverse. Mas nada próximo do que foi mostrado na história original.

O impulso de imaginar uma adaptação grandiosa no cinema é incontrolável, mas o Flash de Ezra Miller está longe de possuir toda a carga histórica de sua versão nas páginas dos quadrinhos. Assim como o Universo Cinematográfico da Warner/DC ainda não está totalmente consolidado. Nessa altura do campeonato, uma cópia de todos os acontecimentos do Flashpoint não faz sentido. Também existe o fato desse ser o filme solo de Barry Allen, importante para pavimentar sua relação com o público. Uma mudança tão drástica logo de cara é ousada, ao mesmo tempo que arriscada.

Também não é uma jogada da Warner para reconstruir todo o universo como dizem as más línguas. O que parece mesmo é uma estratégia comercial também adotada pela Marvel. Capitão América: Guerra Civil adaptou o plot da saga para a realidade do MCU. Vingadores: Era de Ultron não possui nenhuma semelhança com a HQ, exceto o título e o vilão. Até O Homem de Aço não é a mesma história escrita por John Byrne.

O problema que o filme solo do Flash precisa resolver de imediato é a escolha de um diretor. Vários nomes já passaram pelo cargo, sem nenhum avanço significativo. Enquanto isso, outras adaptações vão tomando a frente na corrida. O Velocista Escarlate não pode ficar para trás.

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