São poucos os diretores que podem se gabar de terem contribuído para a revolução de um gênero cinematográfico. Ação, comédia, ficção científica, romance e etc. Cada segmento é habitado por mestres que deixaram sua marca na história. No terror, a lista é extensa. E Tobe Hooper certamente faz parte dela. Mesmo com sua carreira conturbada, ele deixou de herança uma das obras mais importantes já exibidas pelas telonas ao redor do mundo. E abriu portas para aqueles que vieram depois.

O Massacre da Serra Elétrica é, sem sombra de dúvida, uma das obras imprescindíveis para o sucesso do terror ao longo dos anos. E ainda colocou Leatherface na galeria dos maiores causadores de pesadelos que se tem notícia. Dizem por aí que Tobe Hooper idealizou todo o filme durante um devaneio numa loja de ferramentas em Montgomery Ward, no Texas. Putaço com as longas filas do período do Natal, Hooper fitou algumas serras elétricas e imaginou que elas seriam perfeitas para acabar com aquele inferno.

Buscando inspiração no crimes cometidos por Elmer Wayen Henley e no maníaco Ed Gein (conhecido por transformar os crânios de suas vítimas em vasilhas e usar as peles para forrar móveis e outras atividades saudáveis), Tobe e Kim Henkel criaram Leatherface e a famigerada família Sawyer. Assim como o mestre George A. Romero, Tobe Hooper aproveitou momentos oportunos da sociedade norte-americana para construir a atmosfera do seu principal filme. Era um período marcado pelo fracasso do Vietnã e no escândalo de Watergate, o que contribuiu para o impacto de O Massacre da Serra Elétrica na população.

Ao lado do ótimo Devorado Vivo, de 1976, Tobe criou uma identidade para sua forma de enxergar o terror: cru, beirando o caseiro, sádico, transgressor e sempre revelando as piores vertentes dos seres humanos. Aproveitando a boa fase, ele dirigiu a minissérie Os Vampiros de Salem, baseada na obra de Stephen King. Além de um ótimo produto, a atração ajudou a colocar o nome do futuro Mestre do Terror em foco. Mas as coisas não decolaram como prometiam.

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Uma das cenas mais marcantes da história do cinema de terror.

A situação ficou feia para Tobe Hooper quando seu caminho cruzou com Poltergeist – O Fenômeno, além de uma parceria pra lá de tóxica com a Cannon Films. Uma das maiores discussões do cinema é sobre quem realmente dirigiu o filme: Hooper ou Steven Spielberg. Mesmo sendo creditado como produtor e roteirista, Steven foi apontado por todos os envolvidos como a figura de maior comando dentro do set. Isso até rendeu uma investigação por parte da Director’s Guild of America.

Além disso, Hooper também comprou uma briga de egos com Spielberg, levando para esse furacão uma série de problemas pessoais. Dessa forma, sua imagem perdeu espaço em Hollywood. Mas a Cannon surgiu na vida dele, trazendo uma ilusão financeira e uma liberdade para colocar suas ideias em prática. Entre elas a sequência de O Massacre da Serra Elétrica. Foram três fracassos de crítica e público: O Massacre 2, Invasores de Marte e Força Sinistra. Nesse balaio, o nome de Tobe Hooper esteve vinculado a um possível longa do Homem-Aranha já que os direitos do personagem estava nas mãos da Cannon Films.

A carreira de Tobe Hooper nunca se recuperou desses baques, gerando ainda outras obras completamente execráveis. Apesar de nunca ter conseguido superar sua maior criação, ainda assim ele merece todo o respeito desse mundo. Tobe nos deixou para juntar-se ao panteão dos mestres do terror. E apesar de um sem fim de remakes e reboots, O Massacre da Serra Elétrica original ainda é um objeto de estudo para qualquer um que alimente a pretensão de fazer história no terror.

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