Festival que reuniu filmes de terror e música proporcionou ótimas experiências para fãs do gênero

A região da Grande Rio carece de festivais de cinema fantástico, principalmente focados no gênero terror. Por muito tempo, os fãs de terror do RJ ficaram reféns dos filmes de circuito comercial, exceto por algumas surpresas exibidas no Festival do Rio. No entanto, aos poucos isso vem mudando. Nos últimos anos, festivais como Rio Fantastik surgiram e estão cativando o público, além do já mais veterano Animaldiçoados, que é focado em “animações sombrias”. Este ano os fãs de horror foram surpreendidos com o Rock Horror in Rio Film Festival, que ocorreu de 4 a 8 de abril no Reserva Cultural em Niterói, promovido pela Sin Fronteiras Filmes, e com a proposta de reunir filmes do gênero e shows de Rock.

Apesar de Niterói parecer muito distante para alguns cariocas, o local do evento fica muito próximo aos principais pontos de acessos à cidade como a ponte Rio-Niterói e as Barcas. O Reserva Cultural oferece um espaço muito amplo e arejado, que além do cinema, conta com lanchonetes, livrarias, mesas e sofás para o conforto do público. Em cada uma das três sessões diárias do festival (às 15hs, 18:30hs e 21hs) eram exibidos alguns curtas seguidos de um longa que exploravam os mais diversos estilos cinematográficos e subgêneros de terror. Os intervalos entre cada sessão eram preenchidos com mesas redondas e debates sobre os filmes ou temas gerais acerca do terror, muitas vezes contando com a participação de um diretor ou roteirista de uma das produções exibidas. Para finalizar, a partir das 23hs, uma banda de rock encerrava a programação diária.

Show, bate papo e um foodtruck ao fundo para acompanhar.

Contando com 35 filmes de 17 países, o festival trouxe produções de estilos e culturas diversas, além de abordagens surpreendentes para o gênero. Ainda que alguns curtas tivessem uma proposta de terror mais sutil, ou até mesmo estivessem mais inseridos na ficção científica, sem grandes intenções de assustar o público, a forma inusitada como os temas eram abordados em geral agradava bastante os espectadores.

Um exemplo disto foi o curta espanhol Apollo 81, que aparenta se passar num futuro onde um jogo de cartas tecnológico decide os relacionamentos “amorosos”, fazendo uma série de paralelos entre as cartadas e os blefes de cada jogador com estratégias de flerte. O curta divertiu o público pela abordagem inusitada do tema, beirando o surreal em alguns momentos, e foi o ganhador na categoria Melhor Curta Fantástico. Além deste, outros curtas de destaque foram o suspense nacional O Prometido de Thiago L. Soares e Rodrigo Araújo, o divertido terrir A Hora, também nacional, cujo produtor Leandro Corinto estava presente no festival, e IMedium, de Vincent Blonde e Alfonso García, que mistura a tecnologia com o sobrenatural.

Já nos longas destaco o eletrizante e assustador Círculo Siniestro, de Dorian Moris, filme peruano sobrenatural que desde sua impactante abertura já mostra a que veio, e foi ganhador na categoria Melhor Longa de Terror. O found footage The Occupants também se destacou misturando ficção científica e terror. Com uma abordagem curiosa e o roteiro intrigante da brasileira Julia Câmara, The Occupants surpreendeu o público em diversos momentos. O filme despertou muitas perguntas que a roteirista pôde responder conversando com os espectadores após a sessão. Além destes, destaco o longa sueco Huldra: Lady of the Forest, que explora uma faceta sombria da mitologia nórdica, e o intimista e soturno Despertar de Lilith, dirigido pela brasileira Monica Demes que também marcou presença no festival.

Mesa redonda sobre efeitos e maquiagem para filme de terror com os diretores Leandro Corinto (A Hora), Lyndon Ives (The Verity) e Chrystianne Rochat, diretora do festival.

Posso dizer que, como fã de terror, saí muito satisfeito do evento e já aguardando a próxima edição. A oportunidade de assistir filmes fora do circuito comercial e do âmbito Hollywoodiano é muito enriquecedora, pois nos traz uma ampla noção do cenário atual do gênero, e da diversidade de abordagens em diferentes países, com diferentes culturas. Além disso, ter a chance de conversar com pessoas envolvidas na produção dos longas recém-assistidos é muito interessante, aproximando o público de diretores e roteiristas do cinema independente. Por fim, ainda se pôde encerrar a noite batendo papo com outros espectadores e fãs do gênero durante um bom show de rock. Espero que festivais como este cativem público no RJ, estimulando o surgimento de outros para deleite dos fãs e mostrando ao público em geral que o terror e o cinema fantástico vão muito além dos blockbusters que chegam em nossos cinemas.

Abaixo, os trailers dos filmes mencionados:

  • Curtas:

Apollo 81:

O Prometido:

A Hora:

IMedium:

  • Longas:

Círculo Siniestro:

The Occupants:

Huldra – Lady of the forest:

Despertar de Lilith:

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