Mark Millar possui um poder especial, algo como um “Toque de Midas” da cultura pop. Basicamente todo o trabalho em que ele está envolvido segue pela estrada de tijolos amarelos rumo ao cinema ou qualquer outra fonte de adaptação. Tamanha criatividade não poderia ficar à mercê de qualquer editora, era necessário um espaço próprio. Um mundo, para ser mais preciso. Foi aí que o escocês criou a Millarworld, que agora é propriedade da Netflix.

E assim como a Warner comprou a DC Comics e a Disney abocanhou a Marvel, a gigante do streaming agora tem em mãos uma fonte praticamente inesgotável de materiais recheados de qualidade e originalidade. Algo que não se compra em qualquer esquina. Em seu site oficial, Mark Millar tratou de celebrar com entusiamo a união com a Netflix. “Através dos anos, a Millarworld acumulou vinte franquias diferentes, trabalhando com os maiores artistas do mundo e agora ela foi comprada pela mais legal e empolgante companhia de entretenimento do planeta. Dizer que isso é a melhor coisa que já aconteceu nas nossas vidas profissionais é pouco”.

Apesar da clara empolgação, existe bastante lucidez nessas palavras. A ideia por trás da Millarword é controlar todas as criações de personagens e HQ’s, além de lucrar com futuras vendas de direitos. Tudo sintetizado no contrato da compra. E Mark Millar, que age como produtor de todas as adaptações de suas obras, não precisa mais encarar as inconveniências dos grandes estúdios. Já a empresa de Los Gatos conta com títulos como Wanted, American Jesus, Nemesis, Supercrooks, Superior, Starlight, MPH, Jupiter’s Legacy, Jupiter’s Circle, Chrononauts, Empress, Reborn e Huck para distribuir entre filmes e séries.

Os personagens que compõem a Millarworld

Gigantes como Kingsman e Kick-Ass ficaram fora do acordo, já que seus direitos ainda pertencem a Universal e Fox respectivamente. Mas coloca uma pedra nos sapatos dos estúdios, uma vez que a Netflix demonstra que não está brincando quando o assunto é expandir seu catálogo original, especialmente quando se trata de filmes. E não tem choro do Nolan que impeça a onda da mudança.

Existe, porém, um outro elemento que torna essa transação ainda mais interessante. Com o Millarworld e uma amizade lucrativa com a Marvel, a Netflix pode seguir por um caminho que parecia fora de cogitação até pouco tempo atrás: o mercado de HQ’s. A Amazon, hoje maior rival da Netflix, é dona ComiXology, que por sua vez é um dos maiores acervos de HQ’s digitais no mercado. Se o tino comercial dos investidores for tão apurado quanto parece, essa rivalidade pode ganhar um novo e empolgante capítulo.

Ainda não existe um cronograma de lançamentos, mas essa questão deve ser resolvida em breve. A verdade é que Mark Millar coloca de vez seu nome na história da cultura pop e a Netflix continua mostrando que o céu é o limite para o seu crescimento. E ainda dizem por aí que ela está na pior ¯\_(ツ)_/¯

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