Miles Morales merece seu lugar de destaque como Homem-Aranha fora das HQs há um bom tempo

Um dos grandes problemas das HQs estadunidenses Marvel e DC é sua constante periodicidade, tornando genéricas as histórias de muitos personagens famosos como Superman, Homem-Aranha, Batman e Capitão América. Nessas revistas, a necessidade de vender em larga escala anda de mãos dadas com a qualidade, resultando muitas vezes num material questionável.

Dessa busca por vendas há diversas fórmulas usadas para sobreviver e vender ao longo dos anos, e a que mais chama atenção ultimamente é a mudança de etnia dos heróis.

Criado por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli, Miles Morales estreou em Ultimate Fallout #4 de 2011 após a morte de Peter Parker nesse mundo alternativo

Sam Wilson se tornou o Capitão América, o coreano Amadeus Cho tem se transformado no Hulk, a genial Riri Williams assumirá as páginas do Homem de Ferro e a paquistanesa Kamala Khan é a nova Miss Marvel (no lugar de Carol Danvers, que tomou lugar de uma negra como Capitã Marvel, mas nesse caso foi apenas desleixo da Marvel em tornar branca uma personagem originalmente negra). Nenhum desses exemplos, porém, causou mais alvoroço que Miles Morales, o Homem-Aranha hispânico e negro do universo Ultimate da Marvel Comics. Além de ser um dos pioneiros nessa tendência, romper com um personagem tão amado como Peter Parker, mesmo num mundo alternativo, significou um incômodo muito grande para boa parte do público.

A recente notícia sobre o sinal verde para produção de um longa animado do Homem-Aranha protagonizada por Miles Morales para 2018 traz não apenas justiça, mas também evidência o quão medrosa (para não dizer preconceituosa) é a indústria do entretenimento.

Miles Morales vem se destacando positivamente há um bom tempo. Seu sucesso foi o principal fator responsável pelas boas vendas e consequente sobrevida do Ultimate nas Hqs Marvel. Com o fim desse universo (junto com o 616, fundindo-se em um só), ele passa a dividir suas teias com Peter Parker. Seu brilho, no entanto, não parece diminuir por isso pois suas histórias são de qualidade, inclusive com um belo trabalho visual onde sabemos automaticamente, ao observar aquele uniforme, que se trata de Miles e ao mesmo tempo do Homem-Aranha.

O personagem já deu as caras na TV como Homem-Aranha na série televisiva Ultimate Spider-Man, mas ainda é muito pouco. Esse filme animado, mesmo que tardio, tem a oportunidade de mostrar que algumas histórias do Miles Morales tem se mostrado muito mais fiéis à essência do teioso do que muitos arcos recentes com o próprio Peter Parker. Há também a exposição nessa nova plataforma para uma possível versão live action.

Uma pena que desde já esse filme não seja com atores reais. Nada contra Tom Holland, que realmente agradou a maioria e tem potencial para brilhar por anos no cinema, mas em poucos anos já será o terceiro Peter Parker nas telonas. Trazer Miles Morales com a devida qualidade roteirística (Phil Lord e Chris Miller, de Uma Aventura Lego serão os responsáveis pela animação) seria ousado e ao mesmo tempo sensato por parte da Sony. Renderia elogios.

Mas não custa sonhar. Atores de qualidade não faltam, muito menos boas histórias com esse legítimo Homem-Aranha para se inspirar.

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