Quando o primeiro Bruxa de Blair saiu em 1999 ele fez bastante sucesso e popularizou uma uma nova linguagem para o cinema: o mocumentary. Eu acredito que Buscando…, se fizer tanto sucesso como, pode acabar inspirando uma nova narrativa pros anos que virão: as telas de computador e smartphones. Confira nossa crítica sem spoilers.

Eu não quero falar muito do plot do filme para não dar spoilers, mas Buscando… conta a história de David Kim (John Cho), um pai desesperado procurando por sua filha Margot Kim (Michelle La) que desapareceu sem deixar rastros no mundo real. Ele então se alia a detetive Rosemary Vick (Debora Messing) em uma busca pela filha pelos seus rastros digitais na internet.

Parece que vimos essa história várias vezes, mas a grande sacada de Buscando… é que ele se passa completamente em telas de computador e smartphones. Tudo que vimos do filme são mensagens de texto, áudios, sites, videochamadas e diversas outras interfaces. Pode parecer uma ideia absurda mas já foi feita em outras obras, inclusive em um episódio de Modern Family, mas aqui temos uma linguagem usada de forma sensacional, nunca perdendo o foco e nunca ficando desinteressante. Uma coisa interessante é que o filme foi completamente traduzido para o português, na versões legendadas e dubladas, o filme possui toda a interface dos computadores, nomes de arquivos e mensagens de texto traduzidos para o português, procurando uma imersão perfeita do público tupiniquim.

Já na abertura do filme vemos o passar dos anos pela tela de um computador com vídeos, fotos e interações com a interface feito de forma genial. O filme conta muita coisa com bem pouco e já mostra para o que veio. Nesse momento eu já fiquei descrente achando que a linguagem ia me cansar fácil mas o longa sempre tem ideias bem interessantes de manter a narrativa sempre dentro das telas, mesmo nos momentos mais decisivos e tensos. É louvável a criatividade e a diversidade de programas, aplicativos e interfaces que são usados para nos contar a história.

Falando em tensão, o longa consegue criar e manter o suspense muito bem até o fim. O clima tenso vai crescendo nos momentos certos mas sem perder um pouco do humor de vez em quando. É incrível como ele consegue passar esses sentimentos mesmo sabendo que o protagonista está geralmente em casa atrás da tela de um PC.

O filme já seria bem legal se fosse só a linguagem, mas isso tudo está aliado a um ótimo roteiro que não fica atrás de filmes policiais famosos. O longa te dá dicas e você se sente como o protagonista, sempre tentando ligar as pistas para descobrir o mistério o mais rápido possível. As relações entre os personagens e as atuações são ótimas, dando um charme ainda melhor ao filme. Além disso tudo, o filme passeia por diversos temas envolvendo tanto família, como privacidade e falsidade nas redes sociais, culminando em belas mensagens no seu fim.

“Buscando…” pode chegar tímido e sem fazer muito alarde, mas com certeza está entre os melhores filmes que vi esse ano. UEspero que ele inspire e motive outros diretores a fazerem experimentos tão bem feitos como esse. Recomendadíssimo.

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