Spectral não consegue tirar os filmes originais Netflix da mediocridade

A Netflix possui alguns produtos interessantes em seu catálogo original, e ele tende a crescer mais e mais. Além das séries, já falamos aqui sobre alguns filmes da rede de streaming, que tem investido em produções de ficção científica como ARQ. Desse modo, Spectral chega nesse fim de 2016 com a missão de dar um tempero a mais nas opções medianas que temos visto ultimamente.

A trama de Spectral se passa numa cidade da Europa Oriental, cujo país se tornou independente da Rússia mas sofreu com as consequências da guerra, e a situação se tornou ainda mais devastadora com o surgimento de uma força aparentemente sobrenatural, onde um engenheiro do governo estadunidense vai em busca de soluções.

A expectativa aumenta um pouco quando vemos o logo da Legendary Pictures nos créditos iniciais, sugerindo que podemos esperar a qualidade vista em outras produções desde sua estreia com Batman Begins (2005), e no final das contas a produtora cumpre seu papel com efeitos visuais dignos, tanto ao mostrar os seres espectrais quanto ao ambientar o país fictício na tela.

O problema mais gritante de Spectral é a falta de carisma. Temos aqui uma história onde os personagens possuem pouca ou nenhuma profundidade, e isso só se sustentaria com atores carismáticos, o que não é o caso de James Badge Dale, por exemplo (ator acostumado a ser coadjuvante nos projetos que participa). Ele protagoniza o filme dando vida ao engenheiro Clyne, um personagem sem drama algum além do bom mocismo do herói norte-americano. Negativamente, o resto do cast é equilibrado nesse sentido.

Obviamente, esse problema não é nem numa fração dos atores, que no geral são competentes. A grande falha é do roteiro, anti-clímax (o momento onde se descobre uma munição que “mata” o inimigo deveria ser de grande êxtase), manjado (sabemos qual será um dos meios de solucionar o problema na segunda cena do filme) e, como supracitado, insosso. O conceito do filme fica razoavelmente claro e a explicação para os tais seres espectrais passa pelo lado científico, o que de certa forma é ousado.

Visualmente belo mas de conteúdo vazio e de pouca identificação, Spectral evidencia um problema já tratado algumas vezes por aqui quando nos referimos a produções da Netflix em filmes. Faltam roteiristas de qualidade, além do uso excessivo de diretores iniciantes como acontece aqui com Nic Mathieu.

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