Hugh Jackman retorna aos musicais em O Rei do Show, filme sobre aceitação das diferenças que deixa de lado qualquer complexidade para se concentrar apenas no espetáculo

Musical? Já sei, você vai dizer que odeia. “Coisa mais sem graça ir ao cinema ver um bando de gente cantando em vez de falar seu texto.” Bom, se é dessas pessoas, O Rei do Show, novo filme do ator – e showman – Hugh Jackman (Os Miseráveis e Logan), realmente não é para você. Ele não nega suas origens e, para dificultar ainda mais sua aceitação, diferente de filmes como Moulin Rouge (Baz Luhrmann), que trazia versões de canções conhecidas inseridas na história para conquistar com mais facilidade o espectador, aqui as canções são todas originais.

O Rei do Show é o tipo de filme para uma fatia de público muito específica. Pegando carona no sucesso de La La Land – sua trilha é assinada pelos mesmos compositores, Benj Pasek e Justin Paul –, o filme embarca nos cinemas apostando em uma narrativa sobre aceitação, um elenco escolhido a dedo e canções com potencial de contagiar o público.

Dentro dos quesitos que os produtores apostaram suas fichas, apenas um não é muito assertivo: sua narrativa. A história de P.T. Barnum (Jackman), empresário americano que no século 19 teve a ideia de criar um espetáculo reunindo pessoas “bizarras”, que serviu de modelo para os espetáculos de circo que temos hoje, peca por sua falta de substância e ousadia. Ao escolher um tema que envolve inclusão das diferenças e o preconceito que a sociedade tem com tudo que foge dos padrões, o filme poderia adotar um caráter um pouco mais provocador e desenvolver melhor os personagens.

Qualquer profundidade do roteiro é deixada de lado em detrimento do espetáculo. Os dramas de Barnum, filho de alfaiate que superou a pobreza, e sua trupe de rejeitados, são mal explorados. Para comprometer um pouco mais a história que está sendo contada, sua montagem não ajuda. São diversos os saltos no tempo e, em alguns deles, não fica muito claro quanto tempo se passou. E isso compromete o resultado. No clímax do filme, por exemplo, onde toca “From Now On, quando o protagonista relembra seus principais feitos até aquele momento, não conseguimos sentir o peso dos acontecimentos.   

Certamente nas mãos de um diretor mais experiente o material poderia ter sido melhor aproveitado, mas o novato Michael Gracey merece algumas menções honrosas. Como escapismo, seu filme funciona muito bem. Ele orquestra com competência o show e não decepciona comandando as partes técnicas e artísticas. É um filme bonito de se assistir, com belos figurinos e cenografia, trazendo um elenco com nomes conhecidos como Zac Efron, Michelle Williams, Rebecca Ferguson e Zendaya.

Com uma bela mensagem de que “todos os indivíduos são incríveis”, que o filme trata de arranhar apenas de forma superficial, O Rei do Show aposta pesado em suas canções. E, com isso, entrega um filme leve e despretensioso. Perfeito para aquela tarde de sábado em que você só quer comer uma pipoca e deixar fora do cinema todos os problemas. Pelo menos enquanto durar a sessão.

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