“Sobrenatural: A Última Chave” se dispõe a usar todos os clichês já estabelecidos por grandes obras do terror, como por exemplo: “O Exorcista“, “Psicose“, “O Iluminado” e etc. Porém, só usar os templates não garante nem de longe uma obra de qualidade, que seja concisa e que divirta além dos atuais materiais que já estão sendo lançados do gênero. Terror não é só susto e uma boa maquiagem.

Escrito por Leigh Whannel e dirigido por Adam Robitel, com produção de James Wan, temos uma história com uma premissa que captura a atenção do espectador em um primeiro momento, mas que se perde pela falta de conteúdo e por se levar a sério demais e não se entendendo como um longa de terror.

Obter o envolvimento de quem está assistindo algo do gênero é essencial para gerar a tensão e o medo, a cena de abertura, apesar dos clichês, prende muito mais pelo drama familiar envolvido no sobrenatural do que só pelo sobrenatural em si, é positivo, é uma sequência que poderia determinar o tom do filme, e nos faz crer nisso, todavia, quando somos levados para os tempos atuais, em específico, para 2010, no filme, há uma mudança drástica de tom, sem nenhum tipo de sutileza. Não há equilíbrio, o alívio cômico do filme não funciona, sem nenhum tipo de naturalidade, é forçado, está na hora de fazer humor, bota humor. O fazer rir no filme só acontece funcional uma vez de fato.

O roteiro é simples e do simples poderia sair algo consistente e interessante, contudo, é uma bagunça e nada é desenvolvido direito, temos três temáticas que permeiam a história: A questão sobrenatural, um drama familiar e violência doméstica em cativeiro, são três temas fortes, a conexão entre eles é até presente, mas não há conversa substancial entre as partes, deixando raso, superficial e extremamente bobo.

Temos uma protagonista que é fora da curva, fora do usual, Elise Rainier (Lin Shaye) contradiz os paradigmas do personagem jovem e ingênuo, é uma mulher mais velha, experiente e que possui dons que a permitem se comunicar com, o que eles chamam, de “O Além”. Elise possui carisma e há um envolvimento com a protagonista, em fato, ela realmente é a melhor coisa do filme, de longe, e que diga que isso não é lá trabalho muito difícil aqui.

Além de seguir a cartilha do jeito mais preguiçoso possível, não há nenhum movimento de câmera ou um plano mais interessante para abordar o que está além dos olhos, o que está no escuro, é mais do mesmo, não impressiona e nem assusta. Lin Shaye tem expressões que poderiam ter sido exploradas melhor, com um close ou com um ângulo mais intimista da personagem, já que a história gira em torno de seu passado.

As maneiras e técnicas que a película tenta empregar as sensações de medo, angústia e susto são ainda, de novo, mais do mesmo. Incontáveis Jump Scares, todos eles muito previsíveis, sempre seguindo o padrão de: Sem trilha sonora e BOOM! Jump Scare. Um dos elementos que mais cria o horror é só a sugestão dele, o que há atrás dessa porta, debaixo da cama, o que é? A imaginação somada a sugestão que nos aterroriza, mas em “Sobrenatural: A Última Chave” falha miseravelmente, é confuso. E quando finalmente vemos o que é para ver, não é nada demais, uma concepção qualquer e uma maquiagem bem feita.

A trilha sonora é totalmente sem inspiração, poderia ser facilmente substituída por qualquer outra trilha genérica de terror, que não faria diferença alguma, é sem presença, sem inspiração. O som é um elemento essencial para gerar tensão, agonia, desespero. O terceiro ato termina com uma conclusão inteligente, que se, o resto de sua projeção tivesse obtido êxito em apresentar um trabalho competente, poderia ser algo até bem diferente, mas infelizmente…

“Sobrenatural: A Última Chave” reside no mais do mesmo e não acrescenta em nada ao gênero que se dispõe a fazer, é bagunçado, fora de tom e extremamente preguiçoso.

 

 

 

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