Marvel Studios traz seu último filme do ano pegando mais leve com Homem-Formiga e a Vespa, um filme que trabalha bem seus conceitos e dá foco especial para a família Pyn

Estamos ainda em junho e já somamos três filmes da Marvel Studios na conta e, infelizmente, Homem-Formiga e a Vespa é o último deles. Dessa vez, nada de exércitos alienígenas invadindo a Terra, tampouco heróis brigando entre si. Essa sub-franquia idealizada por Edgar Wright no cinema, e depois lapidada por Peyton Reed e Paul Rudd chega ao segundo filme mostrando mais do mesmo, mas com a responsabilidade de apresentar algumas coisas novas no processo.

Para essa produção coestrelada entre herói e heroína, fica impressão de que emburreceram demais o personagem de Paul Rudd, Scott Lang. Não que suas ações evidenciassem um nível elevado de QI em 2015, mas aqui fica sempre a cargo dele quebrar o gelo num momento carregado de informação científica com alguma piada do tipo “vocês colocam a palavra ‘quântico’ em tudo que dizem?” A repetição dessa situação faz com que Lang perca boa parte da esperteza já estabelecida, lembrando que ele próprio fez algumas melhorias no uniforme anteriormente.

Mas se o objetivo final é a piada, está tudo bem. Rudd segura dignamente suas cenas, apesar de seu personagem ter sido melhor desenvolvido no primeiro filme. Agora é a vez de Hope e Hank, que buscam trazer Janet de volta “dos mortos” mesmo que isso custe infringir a lei algumas vezes. E a espera vale muito a pena: não só é bela a busca pela Vespa original, com todas as visitas ao tão mencionado e especulado Reino Quântico, como a própria Pfeiffer está à vontade no papel. É uma sensibilidade elogiável por parte da Marvel Studios em cuidar tão bem de uma figura querida pelos fãs, mesmo que ela não tenha sido apresentada como nos quadrinhos, onde ela foi membro fundadora dos Vingadores.

Já sua filha vivida por Evangeline Lilly é o motor do longa. Hope como Vespa está intensa e emotiva, tendo grandes cenas de ação dedicadas a ela. Esse sucesso se dá pelo tempo cedido, junto com notável empenho de Lilly na personagem, mais até do que Rudd nas palavras do próprio diretor do filme. Trata-se de uma personagem que merece ainda mais atenção da Marvel para o futuro.

A vilã Ghost, ou Ava, é quem mais acaba sofrendo nesse processo. Vivida por Hannah John-Kamen, ela foge do padrão de vilões Marvel habituais, mas apesar do visual maneiro e do envolvimento direto e indireto com vários personagens (sem spoilers aqui), acaba não sendo um papel que demanda muito esforço ou coloque muito medo. Ao menos ela não foi ridicularizada por piadas ao longo da trama. 

Alguns elementos herdados por Homem-Formiga e a Vespa não funcionam tão bem, no entanto. O trio alívio cômico liderado por Luis (Michael Peña) com Kurt (David Dastmalchian) e Dave (T.I.) parece algo batido, mesmo que renda eventualmente alguma boa piada. Quando tratamos do humor, nenhuma cena vai superar a sequência na escola onde Scott Lang está com problemas no ajuste do tamanho, momento esse que é embalado por uma versão mais infantilizada da trilha sonora de 2015, composta por Christophe Beck.

Esse trabalho de perspectiva acaba sendo o que Homem-Formiga e a Vespa tem de melhor a oferecer para o seu público. Peyton Reed brinca exaustivamente (e não poderia ser diferente) com os conceitos do herói e heroína em relação à escala de tamanho. Isso se estende na ação, no humor e na dramaticidade de forma coesa.

A conclusão da história poderia ter sido mais demorada. Dar um tempo para Janet curtir sua filha, por exemplo, ou até mesmo dar um desfecho mais interessante para Bill Foster (Lawrence Fishburne) e Ava, tornaria o fechamento de Homem-Formiga e a Vespa mais sólido. A primeira cena pós-créditos compensa isso um pouco, envolvendo também o espectador ávido por ligações do filme com o MCU, mais especificamente, com Vingadores: Guerra Infinita. Já a segunda cena podemos classificar aqui entre as piores já entregues num filme da Marvel.

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