Diretor israelense Hany Abu-Assad estreia em Hollywood com Depois Daquela Montanha, filme com Kate Winslet e Idris Elba que peca pela superficialidade do roteiro

Você tá com muita vontade encarar um lanche daqueles de lamber os beiço. Aí decide ir naquela hamburgueria gourmet que sabe que nunca falha. O pedido chega direitinho mas quando experimenta percebe que tem algo errado. Os ingredientes que você ama estão ali, mas tá faltando o molho especial.

Sanduíches à parte, Depois Daquela Montanha prometia ser um entretenimento delicioso. Tínhamos um diretor com duas indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro (Hany Abu-Assad), um best-seller com bons elementos como base para o roteiro e, pela primeira vez, a combinação dos sempre talentosos Idris Elba e Kate Winslet.

Na trama, Alex Martin (Winslet) é uma jornalista desesperada para chegar em casa a tempo de seu casamento. Com o atraso do seu voo, ela propõe ao neurocirurgião Ben Bass (Elba), que também precisa chegar logo ao destino, alugarem juntos um monomotor. O que parecia a solução perfeita para ambos acaba virando um pesadelo, com o avião caindo em uma montanha gelada e isolada de tudo.

Aí você pensa: putz, mais clichê impossível! E realmente os ingredientes retirados do livro do norte-americano Charles Martin são bem batidos. Até aí tudo bem, pois um filme estilo Sessão da Tarde bem feito tá sempre valendo. O grande problema é que a dupla de roteiristas J. Mills Goodloe (A Incrível História de Adaline) e Chris Weltz (Rogue One: Uma História Star Wars), talvez empolgada com as possibilidades do roteiro, acabou deixando o material final numa espécie de limbo, sem se definir como um romance que poderia ser mais aprofundado ou um drama de sobrevivência cheio de cenas impactantes.

Tudo fica na superficialidade, e o bom diretor israelense – que chamou atenção por Paradise Now (2005) e Omar (2013) –, não surpreende em nada, parecendo apostar apenas no carisma de seus protagonistas para segurar o filme.

É então que chegamos na grande questão: Winslet e Elba conseguem segurar a onda? Pode-se dizer que os dois estão bem, conseguimos sentir boa química entre o casal, que parece comprometido na construção de seus respectivos personagens. Indo além da mocinha indefesa, Alex é impulsiva, corajosa e determinada, enquanto o doutor Ben é apresentado como alguém mais introspectivo e resignado. Tais características são exploradas pelos atores de forma convincente, fazendo com que a gente se mantenha interessado na história à medida que eles se aproximam cada vez mais.

O pecado está mesmo no roteiro. Sem trazer momentos realmente empolgantes, esse é mais um exemplo de filme mal vendido no trailer, que sobe a trilha sonora e é editado com cenas que dão a sensação de que viveremos uma experiência incrível. Só que não!

Com um ato final que se estende mais do que deveria, e evidencia ainda mais o problema de indecisão do filme, ao acenderem as luzes fica a sensação de desperdício. Na foto o sanduíche parecia ótimo, mas muitas vezes as aparências enganam e o que sobra é um lanchinho apenas OK.

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