Filmes biográficos de músicos famosos é uma fórmula que geralmente acerta no cinema. O mais novo filme nesse formato é Bohemian Rhapsody, uma biografia do Queen mais focada na figura excêntrica e genial do seu líder Freddy Mercury.

Bohemian Rhapsody conta desde o início da entrada de Freddy Mercury (Rami Malek) na banda, passando pela ascensão do Queen e, posteriormente, seus problemas com a esposa, integrantes da banda, sua família e com sua própria sexualidade.

O problema de contar a história de uma grande banda com um grande cantor em um filme é que muita coisa vai ficar de fora. O longa escolheu focar na vida de Freddy Mercury e seus problemas internos e externos. Rami Malek é a grande estrela do filme e incorpora Mercury de uma forma descomunal. Eu nem consegui ver o seu famoso personagem Elliot de Mr. Robot no longa, tamanha foi a diferença. Nas interações com as pessoas, ele entrega um excêntrico e muitas vezes babaca personagem, mas nos palcos ele incorpora o Freddy Mercury showman que todos conhecem e adoram.

Por grande parte da exibição parece que o filme porém não tem muito foco. Os problemas com a família de Freddy são jogados mas não desenvolvidos. Durante o início da projeção parece que o filme vai contar a história da música título pois vai mostrando como foi difícil construir a grandiosa canção tanto tecnicamente como mercadologicamente. A música vai chegando para Mercury como se dada por uma musa aos poucos e seus acordes vão se construindo aos poucos. Mas com a entrega e sucesso da música ali na metade da exibição, o filme passa para outros focos.

Meu principal problema com o longa é a mensagem errada que ele pode passar sobre a sexualidade de Freddy, dentro da narrativa do filme o personagem é feliz com sua esposa e amigos, mas ao assumir sua sexualidade ele é jogado em um mundo de promiscuidade e drogas. Isso pode passar a mensagem errada que ser gay vai automaticamente trazer problemas e acabar com casamentos. Esse arco de autodestruição é levado a Freddy pelo personagem Paul (Allen Leech), um personagem do mal caricato que não parece pertencer a um filme baseado em fatos reais. Felizmente a sexualidade de Freddy é melhor abordada no final do longa, passando uma mensagem mais positiva. Aliás, a maioria dos problemas do roteiro meio que encontram um caminho no final do filme, resolvendo coisas que pareciam ser deixadas de lado.

Em questão de cinematografia o filme deixa a desejar, sempre entregando enquadramentos sem graça ou exagerados demais. Os números musicais de apresentações ao vivo são surpreendentes, mas principalmente por causa da atuação de Malek e também porque estão tocando Queen no fundo para ele dublar, é difícil uma cena ficar ruim enquanto toca Queen. Existiam opções mais interessantes que poderiam ter sido usadas para deixar o filme mais artístico e menos nos trilhos. A banda Queen e Freddy Mercury mereciam um filme mais experimental à sua altura.

Bohemian Rhapsody não é um filme ruim, é sempre interessante saber mais sobre a história das bandas que gostamos. Rami Malek está um monstro no papel e suas interações com os outros personagens, sejam eles a banda ou sua esposa, tem uma boa química e são bem construídas, mas acredito que faltou uma abordagem mais interessante da psique desse personagem tão intrigante . O filme termina de uma forma fenomenal e bem para cima, fico feliz de eles não focarem tanto na AIDS e não apelarem para a doença, escolhendo terminar o filme com um sentimento de redenção. Se você é fã da banda ou das suas músicas, é recomendada uma visita ao cinema para ver as representações dos shows ao vivo, são nesses momentos que o filme brilha.

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