Atômica é um tapa na cara de David Leitch e Charlize Theron, embalado numa trilha oitentista

Assistir ao filme “Atômica” é como começar a escrever um texto sem voltas, “sem arrudeios” (no bom Cearencês). O filme é um tapa na cara! Aliás, um não, vários! Tapa, soco, chute, corte, furo de chave, atropelamento, carro caindo na água… Uma ação vertiginosa e cenas de lutas bonitas plasticamente. Os personagens sangram. A perfeição dos ferimentos totalmente condizentes aos golpes aplicados é como… é como se o filme fosse dirigido por um dublê… e é!

Em seu primeiro filme dirigindo só, David Leitch mostra que suas experiências como ator e, principalmente, como dublê e diretor de dublês fizeram diferença. A valorização das dezenas de cenas de lutas alucinantes e toda a dinâmica entre tiros e “carões” de Charlize Theron dão o tom do filme.

“Atômica” é baseada no graphic novel de 2012, “The Coldest City” de Antony Johnston e Sam Hart, publicada pela Oni Press. Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma agente disfarçada do MI6, é enviada para Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos que está sendo contrabandeada para o ocidente, na véspera do Colapso do Muro de Berlim em 1989. Ao lado de David Percival (James McAvoy), chefe da localidade, a assassina brutal usará todas as suas habilidades nesse confronto de espiões.

Cena de Atômica onde Charlize Theron e James McAvoy conversam
Charlize Theron e James McAvoy em cena de Atômica.

O roteiro é bem estruturado, típico de filmes de espionagem e que, somado a uma direção de arte interessante (afinal, recriar os anos 80 não é para qualquer um) e a um bom trabalho na fotografia, dão um sabor especial para a ação. A maior parte das cenas puxam para os tons de cores frias, azulados e brancos que são pincelados por laranjas e vermelhos (de uma boa quantidade de sangue) para dar ainda mais tensão, quando necessário.

Outro ponto positivo de Atômica é a música. Pura trilha dos anos 80 com sintetizadores, batidas eletrônicas da moda dos tempos em que o Mappin e a Mesbla tinham acabado de abrir. “Blue Monday” (versão do Health para o clássico do New Order), tem “Cat People” (Bowie), “99 Luftballons” (Nena), “Sweet Dreams” (remix do Eurythmics), “London Calling” (The Clash), “Under Pressure” (Queen/Bowie), só para citar algumas das canções clássicas.

Há quem diga que o ponto negativo do filme é apelar para a violência em uma narrativa pouco inovadora. Se bem que falar de muro separando cidades, que é apenas o pano de fundo para a história acontecer, me parece bem atual.

A partir do dia 31 de agosto, “Atômica” estará nos cinemas no Brasil. Uma boa pedida para se divertir, sem compromisso com a história e com boas doses de porrada.

Vinicius Augusto Bozzo é roteirista, diretor, editor e ator comediante. Produziu diversos programas de televisão, séries para webe documentários para TV (“As histórias de Quintino Cunha”, “Aldeia do Saber” e “Máquina de um Tempo”). Atualmente é diretor da Sinfonia Filmes e está finalizando uma série de animação chamada “Bambolim” e é nosso enviado no Anima Mundi 2017.

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