Documentário mostra o lado comum de pessoas que decidiram por um fim na própria existencia

Capa do documentário a pontePonte Golden Gate, São Francisco – Califórnia. Umas das sete maravilhas do mundo moderno segundo a Sociedade Americana de Engenheiros Civis. Nesse cenário onde deveria atrair (e atrai) uma quantidade enorme de turistas felizes que interagem de forma positiva com o local, há um sintoma comportamental muito negativo que essa ponte carrega: milhares e centenas de pessoas já deram fim à própria vida se atirando, lá de cima, dos seus cerca de 67 metros de altitude.

O documentário A Ponte (The Bridge, 2006) dirigido por Eric Steel se dedica especialmente ao ano de 2004 para retratar essa situação, onde mais de vinte pessoas se jogaram da ponte e alguns corpos não foram sequer encontrados, levados pela maré. Assim o filme acompanha o relato de pessoas ligadas a esses indivíduos, numa tentativa de entender mais sobre suas motivações (ou falta delas), que culminaram no passo definitivo, abrindo espaço para o debate a respeito da implementação de grades anti-suicídio na ponte.

O apelo visual na câmera de Eric Steel não existe, tornando tudo muito cru e realista, mas não deixa de ser chocante ver um ser humano cometer tal ato, e nesse sentido o filme foi muito bem trabalhado, desde a introdução (numa marcante sequência inicial antes do título) até o desfecho, a tensão é muito grande cada vez que é mostrado uma pessoa sendo filmada na ponte. Diversas pessoas que se jogaram são abordadas, com relatos de amigos e familiares e há dois casos que ganham maior destaque: o do garoto com transtorno bipolar que se jogou da Golden Gate mas sobreviveu e Gene, um caso que vai sendo preparado aos poucos durante o filme e que vai encerrar as histórias.

cena de a ponteNão há muito o que ser discutido numa forma mais abrangente, e talvez seja essa a maior mensagem aqui. Cada caso merece uma abordagem muito particular, sendo assim a tal grade de proteção contra esses atos funcionaria em alguns casos (há pessoas que foram até lá mas desistiram de pular) onde apenas um detalhe poderia ter mudado o rumo da vida da pessoa que se matou, mas em outros apenas muda o local do suicídio. A rede de proteção foi colocada em 2014 depois de muito debate (o argumento de que pode prejudicar o apelo turístico da ponte colocando a proteção é muito forte) e dificilmente essa decisão será revogada devido ao grande custo da obra (cerca de 76 milhões de dólares).

#SetembroAmarelo: Analogicamente ao nível da água naquele trecho da baia que liga São Francisco e Sausalito através da Golden Gate, A Ponte de Eric Steel nos traz uma reflexão um tanto rasa a respeito do suicídio em si, mas prega uma boa dose de respeito ao ser humano que ,seja pelo motivo que for, decidiu se tornar nada.

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